Três engenheiros ouvidos pela reportagem concordaram: o choque da
caçamba do caminhão foi suficiente para derrubar a passarela da Linha
Amarela, sem que, necessariamente, ela tivesse alguma falha estrutural.
Quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas. O
fato de o caminhão trafegar a 85 quilômetros horários fez com que o
peso jogado contra a estrutura fosse de, aproximadamente, cem toneladas,
o que faria tombar qualquer passarela metálica, de acordo com eles, ou
até mesmo uma de concreto.
O engenheiro de transportes Luiz Carneiro, diretor do Clube de
Engenharia, levantou três hipóteses para o acidente: de o motorista ter
alçado a caçamba para esconder a placa, uma vez que dirigia na Linha
Amarela antes do horário permitido; de ter acionado, acidentalmente, a
elevação da caçamba, e não ter percebido ou tido tempo para abaixá-la, e
ainda de a caçamba ter subido por um defeito mecânico.
— Não havia nenhum motivo para ele estar com a caçamba para cima.
De acordo com Caneiro, a passarela não foi - e não tem mesmo de ser - dimensionada para esse tipo de colisão.
— Se fosse, estaria superdimensionada, seria um gasto de dinheiro à toa.
Ele e outros dois especialistas calcularam em 15 ou 20 toneladas o peso
da ponte para pedestres. Moradores de favelas que ficam à margem da
Linha Amarela afirmaram que aconteceram acidentes semelhantes
anteriores, mas que não chegaram a causar abalo, como contou Alexandre
Gomes da Silva, que mora no complexo União de Del Castilho.
— A Lamsa (Linha Amarela S.A.) chegou a fazer manutenção no ano
passado, depois de uma batida, mas verificaram que não tinha abalado.
O engenheiro especializado em estruturas Antônio Eulalio, conselheiro
do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio, lembrou que esse
tipo de passarela para pedestres é projetada para suportar 500 quilos
por metro quadrado, o equivalente ao peso médio de sete transeuntes.
O engenheiro calculista Manoel Lapa, também especialista em estruturas,
ressaltou que nesse tipo de projeto não é levado em conta o risco de um
acidente como o desta terça-feira.
— A probabilidade é muito pequena. Se for considerar todo tipo de risco, o custo de construção fica muito alto.
Carneiro apontou que essas ocorrências não são tão raras assim. Ele
citou o caso de uma ponte, na Avenida Brasil, que desabou parcialmente
em 2011 com o choque de um caminhão que transportava um trator.