Instituído em 1998 durante a gestão do
ministro da educação Paulo Renato Souza, no governo do presidente
Fernando Henrique Cardoso, o Enem teve por princípio avaliar anualmente o
aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o
ministério na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria
do ensino brasileiro, aprimorando os Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCNs) do Ensino Médio e Fundamental e, dessa forma, promovendo
alterações conforme indicasse o cruzamento de dados e pesquisas nos
resultados do exame. Foi a primeira iniciativa de avaliação geral do
sistema de ensino implantado no Brasil.
O
primeiro modelo de prova do Enem, utilizado entre 1998 e 2008, tinha 63
questões aplicadas em um dia de prova. A prova na época não servia para
ingresso em cursos superiores.
Em 2009 foi introduzido um novo modelo de prova para o Enem, com a proposta de unificar o concurso vestibular
das universidades federais brasileiras. Dessa forma, o novo Enem passou
a ser realizado em dois dias de prova, contendo 180 questões objetivas e
uma questão de redação.
O Enem começou a ser utilizado como exame de acesso
ao ensino superior em universidades públicas brasileiras através do
SiSU (Sistema de Seleção Unificada). Através do SiSU, os alunos podem se
inscrever para as vagas disponíveis nas universidade brasileiras
participantes do sistema. Como a utilização do Enem e do SiSU pelas
universidade brasileiras é opcional, algumas instituições superiores
ainda utilizam concursos vestibulares próprios para seleção dos
candidatos às vagas.
Recentemente,
o Ministério da Educação divulgou a classificação das escolas
referentes ao Enem de 2011, com comemoração de proprietários de redes de
ensino, em todo o Brasil. Nessa avaliação, o Piauí mais uma vez se
destacou. Ocorre que algumas dessas escolas (e no nosso estado não é
diferente) estão utilizando um artifício para se destacar nesse exame. Criam
uma nova unidade de ensino e fazem uma seleção criteriosa com os alunos
“mais inteligentes” e formam uma única turma com no máximo 40
discentes, com acompanhamento diferenciado durante todo o ano letivo.
Essa atitude praticada não condiz com a realidade, porque essas escolas
têm, por exemplo, 200 alunos que fazem o Enem e esses 40 não são
incluídos no cômputo geral (sendo avaliados separadamente), embora façam
parte da mesma rede educacional, pois caso todos fossem avaliados
conjuntamente, essas escolas teriam uma queda significativa no
desempenho do exame.
Essas
escolas que maquiaram os resultados do Enem, agora fazem um exaustivo
marketing (como se o desempenho obtido fosse de todos os alunos da rede
de ensino, que se submeteram ao exame), praticando uma verdadeira
propaganda enganosa, ludibriando a sociedade (especialmente os pais) e
ferindo frontalmente o Código de Defesa do Consumidor e cometendo,
inclusive, crime. Senão vejamos o que determina a Lei Consumerista:
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
§
1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de
caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer
outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a
respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços.
Art.
66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante
sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança,
desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços:
Pena – Detenção de três meses a um ano e multa.
Diante
dessa artimanha praticada, é preciso que toda a sociedade fique atenta
com a propaganda enganosa divulgada nos diversos meios de comunicação,
por essas redes de ensino, inclusive de Teresina, porque essas
instituições estão se comprometendo a prestar um serviço de qualidade e
não estão cumprindo com o que anunciam. Além disso, o Ministério
Público, como fiscal da lei, deve se atentar para esse reprovável
comportamento, no sentido de tomar as medidas judiciais cabíveis e o
Ministério da Educação deve também ampliar a forma de avaliação das
escolas brasileiras, não se contentando somente com uma prova realizada
anualmente.

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